
O filme ainda está em cartaz, então vou comentar. Eu preciso.
Na Natureza Selvagem foi o filme mais injustiçado do ano passado. O primeiro filme de Sean Penn como diretor foi exibido aqui no Brasil durante a Mostra de Cinema no ano passado, e depois estreou em meados de fevereiro em circuito pequeno, e continua em cartaz até agora no Cine Bombril. Ninguém percebeu. O Oscar não deu sinais de interesse, teve duas indicações bastante discretas, e mais nada. E ninguém percebeu. Ninguém percebeu que esse filme é uma obra prima, de uma sensibilidade e refinamento ímpar.
Quando assisti o filme na mostra, fui chamado por um amigo que me disse: "É um filme dirigido pelo Sean Penn sobre um moleque, parece bacana." e essas eram as informações que tinha. Cheguei lá e foi uma surpresa atrás da outra.
Sean Penn fez uma direção brilhante, porém o crédito maior deve ser dado a uma serie de decisões incrivelmente acertadas da parte do diretor/produtor/escritor. O primeiro acerto de Penn está na trama. O filme é baseado no livro best-seller de John Krakauer, Into the Wild, que relata a história real de Christopher McCandless e sua jornada de auto-descobrimento. O segundo acerto foi o de filmar a grande maioria das cenas in locus, ou seja, no local onde elas realmente aconteceram. Sua terceira e maior acertada na mosca foi o casting. Emile Hirsh, que até então só tinha se destacado no filme Alpha Dog e no bobinho e divertido The Girl Next Door (Show de Vizinha) mostra aqui todo o seu talento e se afirma, pelo menos no meu caderninho, como uma das grandes promessas da nova geração de atores. Uma atuação impecável e de uma seriedade e comprometimento visíveis (o ator perdeu quase 20 quilos durante a filmagem) para mim foi uma grande decepção o fato de que ele não recebeu a indicação ao Oscar, pois seu trabalho na minha opinião rivaliza até o do ganhador desse ano Daniel Day-Lewis (em Sangue Negro). William Hurt, Marica Gay-Harden e Jena Malone interpretam a família de Chirstopher e, com exceção do primeiro, estão bem porém não brilhantes. Vince Vaughn está carismático como sempre numa rápida e divertida aparição, e Hal Holbrook, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, discretamente traz o cinema abaixo. Só sou obrigado a torcer o nariz, mais por força de costume do que qualquer outra coisa, à chatinha Catherine Keener, que não consigo gostar por nada. Mas dessa vez, ela não chega a incomodar, como a hippie que cruza seu caminho com Chirstopher em alguns momentos de sua viagem.
O terceiro acerto, e a cereja no topo do bolo, vem com a escolha da trilha sonora, composta quase que inteira por Eddie Vedder, um violão, e só (o CD solo do vocalista do Pearl Jam, homônimo ao filme, vale muito a pena).
A soma de todos esses acertos aliados à enigmática figura de Christopher McCandless, sua história e seus ideais profundos, fazem desse filme um espetáculo imperdível, uma verdadeira aula de Como Fazer Cinema. Não espere para alugar o filme em DVD. Se você quer ir ao cinema e quer fugir de um simples entretenimento, assista Na Natureza Selvagem enquanto pode.

4 comentários:
Adoooro a Catherine Keener. EU queria ser o John Malkovich...
Se eu n estivesse trabalhando eu ia amanhã à tarde ver...naum sabia q tava no cinema ainda, achei q ja tinha ido pro saco rumo aos dvds.
Se o filme for 1/3 do q eh a trilha sonora, vou amaaar!
=0*
Esse filme é genial, dos melhores do ano, mas como você disse, foi meio esquecido.
A trilha sonora é genial, assim como o ator principal e como vai desenrolando a trama!
Parabéns pelo blog.
Abraço
Dany
maravilhoso !!!!
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