domingo, 11 de maio de 2008

Speed Racer


Speed Racer é o filme que decidi usar para iniciar o blog. Pode parecer meio frustrante para alguns, mas é que eu acabei de assisti-lo e estou com ele fresco na minha memória, então acho que vai ser mais fácil.

Ainda que tenham tido suas derrapadas, Larry e Andy Watchowski criaram uma nova linguagem cinematográfica. O primeiro filme da trilogia Matrix (e o único que vale a pena) é uma obra prima que transmite uma trama de grande conteúdo filosófico numa linguagem moderna e acessível. É um filme grandioso sem nem levar em conta a inovação visual que ele trouxe (o Bullet-Time que foi copiado ad nauseum por todos os filmes de ação da ultima década).
V de Vingança, escrito e produzido pela dupla, serviu mais como uma redenção aos irmãos perante Holywood, após a decepcionante conclusão da trilogia Matrix.
Eis que, pouco depois do lançamento deste último, soube do próximo projeto dos Watchowskis: Speed Racer. Achei uma escolha bizarra. Mas eu nem imaginava o quão errado eu estava.

Speed Racer é um filme visualmente sensacional. É uma revolução. Pegue o tom cartunesco e surreal de Sin City, adicione aproximadamente 500 cores e luzes por segundo e adicione uma boa dose de psicodelia e uma edição frenética e você tem Speed Racer. Larry e Andy decidiram transportar todo o tom surreal do anime japonês para a tela, e fãs do gênero vão ficar impressionados com a maestria e fidelidade que isso é realizado. A trama é propositadamente rasa, um tom de filme-família (até macaco tem), personagens bem simples e diálogos que poderiam ter sido escritos por uma criança. Incrivelmente, tudo isso para de pé, tamanha é a qualidade visual do filme. Naturalmente, existe uma grande chance de você sair do filme decepcionado, mas a questão é não se focar no que está acontecendo, e sim como isso está sendo apresentado.
Kudos para o elenco acertou perfeitamente o clima das interpretações e não se leva nada a sério, algo que poderia ter azedado toda a mistura. O talentoso Emile Hirsh está carismático como nunca, e perde só para John Goodman, que já trabalhou bastante com os irmãos Coen para saber representar um papel surreal como o do bonachão Pops, o pai de Speed, com graça cativante. Até Matthew Fox consegue se distanciar do papel do Dr. Jack de Lost e adquire uma personalidade própria. Por fim temos Susan Sarandon como a mamãe Racer, e Christina Ricci como a namorada Trixie, toda charmosinha. Inevitavelmente no meio das luzes e cores você acaba sendo sugado para a trama, e quem sabe no final do filme vai estar como eu, vibrando e torcendo como se fosse um garotinho... "Go Speed Racer, Go!"

Um comentário:

Giulliana disse...

Acho q de todas as opinioes q eu ja vi sobre o filme, a sua foi a unica positiva. E tb a de maior lucidez.

Assistia mto Speed Racer qdo criança, e me empolguei com a ideia d ter sido transformado em filme - acho q por gostar mto d desenhos q são transformados em filme -, me frustrei um pco com as críticas extremamente negativas, mas seus comentários a respeito me empolgaram de novo.

Bem vindo à blogosfera, gostei do primeiro texto q eu li. =0)

=0*