segunda-feira, 26 de maio de 2008

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (Indiana Jones and the Kindom of the Crystal Skull)


Preparem o chicote e o chapéu, Dr. Henry Jones está de volta! Quase duas décadas depois, o trio George Lucas, Steven Spielberg e Harrison Ford se juntam para mais uma aventura em busca de algum artefato perdido. Depois dos remakes infindáveis dos últimos anos (King Kong, The Producers, Saída de Mestre, Guerra dos Mundos, Poseidon etc), agora a nova moda de Hollywood é revisitar uma série dos anos 80 ou 90 (Rocky, Rambo, Duro de Matar, Alien) e essas novas versões em geral não se atualizam e tentam manter a fórmula original, ou então tentam conciliar algo novo com algo velho, e o resultado geralmente é medíocre. Indiana Jones aposta todas as suas fichas na nostalgia, e o resultado é um tributo à trilogia original, que só sobrevive às custas de seus predecessores. Para um fã da série original como eu, o sentimento de nostalgia aparece, mas requer certo esforço. Para um espectador que não viu os filmes anteriores ou não se interessou muito, a sensação deve ser de um filme ultrapassado, com clichês e situações que os filmes de hoje em dia evitam. O fator sobrenatural da série foi beber de outra fonte dessa vez, mas os fãs não vão se importar e os não-fãs podem nem perceber. O filme foi escrito por George Lucas, que consegue piorar cada vez mais com o tempo (o ultimo filme da nova trilogia Star Wars se salva, mas pode ter certeza que não é pelo roteiro). Todo mundo parece estar lá para relembrar os velhos tempos, mas talvez os tempos de Indy Jones já se foram. Sean Connery não quis sair da aposentadoria nem para fazer uma aparição rápida (novamente como o Jones Sr). Isso não impede o filme de homenageá-lo numa menção rápida e pouco relevante mas digna de nota. Bonitinho. Se você for no cinema como eu, querendo relembrar o bom e velho Indy, e não estiver esperando muito, pode não se decepcionar, e até gostar um pouco. Mas não é de maneira alguma um filme imperdível. Nem imagino que ambicione ser, também.

domingo, 25 de maio de 2008

Uma cena sublime

Esse vídeo me foi mostrado por um amigo meu do izzyjuice.wordpress.com e leitor aqui do blog (o mesmo video está no site dele, muito legal por sinal) e mostra a tocante reação de José Saramago ao final do filme "Ensaio Sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles (sentado ao seu lado no vídeo), que é baseado no livro de mesmo nome publicado por Saramago.



Alguém também ficou com vontade de assistir? A estréia está prevista para dia 12 de setembro aqui no Brasil.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Quebrando a Banca (21)


Quebrando a Banca é um filme baseado no livro homônimo sobre um grupo de jovens do MIT que bolam um esquema para, como o titulo sugere, quebrar a banca dos cassinos em Las Vegas. A premissa de um método infálivel para ganhar dinheiro no Blackjack já foi o suficiente para me atrair ao cinema, principalmente quando é baseada numa historia real. O diretor não possui muito no seu currículo (Legalmente Loira e Até Que a Sogra nos Separe, filmecos inexpressivos com tramas bobinhas, mas que conseguem entreter na maneira mais rasa possível) mas o suficiente para ter uma ideia do que esperar. Quebrando a Banca se encaixa nessa fórmula, mas consegue superar os trabalhos anteriores. Jim Sturgess (do filme Across the Universe que eu quero assistir assim que possível) me parece um cara simpático, ele comecou a aparecer em filmes agora e está indo no caminho, em produções facilmente digeríveis como essa. Kate Bosworth foi uma escolha imperdoável, com apenas 25 anos ela já nao convence nada como uma aluna de 21 (coitada, está mais para 30 e poucos). Laurence Fishburne e Kevin Spacey aparecem um pouquinho, e não se saem tão mal. O filme entretêm por duas horas, funciona como deveria funcionar, talvez eu tenha saído com uma vontade ligeira de chamar uns amigos meus que fazem exatas e ir pra Vegas, mas daqui a uns 3 meses já não vou mais me lembrar dele. Ainda assim, se você estiver com uma tarde livre para gastar, Quebrando a Banca é uma escolha garantida de um filme fácil, gostosinho e divertido.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Shine a Light



Não é segredo para ninguém. Martin Scorcese é um cara bastante ligado na musica pop. Ainda está fresco na minha memória a gostosa trilha sonora do ultimo filme dele, Os Infiltrados. Bob Dylan, Michael Jackson e futuramente George Harrison, integram a lista de artistas que já trabalharam com ou tiveram seu trabalho registrado por Scorcese. Quando ele resolve (atenção para o jogo de palavras) jogar uma luz no trabalho de Mick, Keith e cia, o resultado para mim foi um pouco... frustrante.
Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu fui ver Shine a Light com uma ideia completamente diferente do que seria o filme. Esperava um documentário acompanhando a trajetória da banda ao longo dos anos, com cenas de shows e afins. O filme na verdade é uma edição de duas horas de um show beneficiente que os Stones fizeram em Nova Iorque durante a turnê de lancamento do ultimo álbum, A Bigger Bang, em 2006, permeado por pequenas cenas antigas de entrevistas ao longo das ultimas décadas. As cenas são escassas e só serviram para deixar um gosto de "quero mais" na minha boca, que tive que engolir azedamente ao final da sessão. Gostaria de poder dizer que é um filme restrito a fãs dos Rolling Stones mas mesmo eu que sou grande fã não gostei do resultado. Para quem gosta do som deles, a minha recomendação é exatamente oposta à que dei na ultima critica: Espere e compre o DVD (Desnecessário falar, quem não é fã nem deve considerar). Como um DVD de show, ele é incrivelmente bem excecutado, passando um clima íntimo e visceral à sempre eletrizante performance dos dinossauros do rock (para quem falou que eles estavam acabados, engula suas palavras). Apreciado pelo que é, um show dos Stones praticamente na íntegra, o filme realmente (tou inspirado hoje, desculpem) brilha. Mas cuidado ao assistir. Pode ser para você, como foi para mim, uma grande decepção.

Na Natureza Selvagem (Into the Wild)


O filme ainda está em cartaz, então vou comentar. Eu preciso.

Na Natureza Selvagem foi o filme mais injustiçado do ano passado. O primeiro filme de Sean Penn como diretor foi exibido aqui no Brasil durante a Mostra de Cinema no ano passado, e depois estreou em meados de fevereiro em circuito pequeno, e continua em cartaz até agora no Cine Bombril. Ninguém percebeu. O Oscar não deu sinais de interesse, teve duas indicações bastante discretas, e mais nada. E ninguém percebeu. Ninguém percebeu que esse filme é uma obra prima, de uma sensibilidade e refinamento ímpar.
Quando assisti o filme na mostra, fui chamado por um amigo que me disse: "É um filme dirigido pelo Sean Penn sobre um moleque, parece bacana." e essas eram as informações que tinha. Cheguei lá e foi uma surpresa atrás da outra.
Sean Penn fez uma direção brilhante, porém o crédito maior deve ser dado a uma serie de decisões incrivelmente acertadas da parte do diretor/produtor/escritor. O primeiro acerto de Penn está na trama. O filme é baseado no livro best-seller de John Krakauer, Into the Wild, que relata a história real de Christopher McCandless e sua jornada de auto-descobrimento. O segundo acerto foi o de filmar a grande maioria das cenas in locus, ou seja, no local onde elas realmente aconteceram. Sua terceira e maior acertada na mosca foi o casting. Emile Hirsh, que até então só tinha se destacado no filme Alpha Dog e no bobinho e divertido The Girl Next Door (Show de Vizinha) mostra aqui todo o seu talento e se afirma, pelo menos no meu caderninho, como uma das grandes promessas da nova geração de atores. Uma atuação impecável e de uma seriedade e comprometimento visíveis (o ator perdeu quase 20 quilos durante a filmagem) para mim foi uma grande decepção o fato de que ele não recebeu a indicação ao Oscar, pois seu trabalho na minha opinião rivaliza até o do ganhador desse ano Daniel Day-Lewis (em Sangue Negro). William Hurt, Marica Gay-Harden e Jena Malone interpretam a família de Chirstopher e, com exceção do primeiro, estão bem porém não brilhantes. Vince Vaughn está carismático como sempre numa rápida e divertida aparição, e Hal Holbrook, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, discretamente traz o cinema abaixo. Só sou obrigado a torcer o nariz, mais por força de costume do que qualquer outra coisa, à chatinha Catherine Keener, que não consigo gostar por nada. Mas dessa vez, ela não chega a incomodar, como a hippie que cruza seu caminho com Chirstopher em alguns momentos de sua viagem.
O terceiro acerto, e a cereja no topo do bolo, vem com a escolha da trilha sonora, composta quase que inteira por Eddie Vedder, um violão, e só (o CD solo do vocalista do Pearl Jam, homônimo ao filme, vale muito a pena).
A soma de todos esses acertos aliados à enigmática figura de Christopher McCandless, sua história e seus ideais profundos, fazem desse filme um espetáculo imperdível, uma verdadeira aula de Como Fazer Cinema. Não espere para alugar o filme em DVD. Se você quer ir ao cinema e quer fugir de um simples entretenimento, assista Na Natureza Selvagem enquanto pode.

domingo, 11 de maio de 2008

Nota rápida

Só achei que eram dois comentários dignos de serem feitos. Peço a todos que lêem esse blog (mesmo que vocês nunca concordem comigo numa só sequer crítica) que prometam a vocês mesmos NUNCA mais fazer nota das estrelinhas ou bolinhas ou qualquer tipo de classificação que o jornal, revista, site, faz dos filmes. Cinema é uma arte. É um absurdo querer classificar uma obra de arte com uma nota de um a cinco ou o que quer que seja. Muito menos dá pra usar isso pra comparar filmes entre si ("vou ver esse porque é 4 estrelas, o outro é só 2").
O outro é que eu geralmente evito comentar sobre pontos da trama, mesmo que seja uma por cima, a não ser que seja estritamente relevante. Eu pessoalmente odeio spoilers e me irrito profundamente quando um jornal comenta pontos-chave da trama na resenha. Então podem ler tranqüilos as criticas aqui, eu vou sempre escrever tendo em mente alguém que ainda não viu o filme.

Bom... é isso.

O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream)


Woody Allen pode se rotular, filme após filme, como um frangote patético impotente e neurótico, medroso e estúpido, mas verdade seja dita: Ele tem um pique invejável (digo isso com todo o amor ao velhinho).
Aos 72 anos, o rei do humor judaico continua um dos diretores mais ativos da atualidade. Nas ultimas 4 décadas (!!!) ele nos deu uma média de um filme por ano (eu conferi no IMDb - de 1971 pra cá ele dirigiu nada mais nada menos que 40 filmes, contando o ainda inédito Vicky Cristina Barcelona). Num ritmo desses, é mais do que esperado que nem tudo seja flores, e tivemos por aí alguns deslizes. Scoop, de 2006, foi um deles. Melinda e Melinda, 2004, foi outro. Igual a Tudo na Vida, 2003, mais um. Você começa a se perguntar se são somente deslizes ou se o cara está perdendo a mão. Eu ia entender perfeitamente, 40 anos fazendo filmes freneticamente, a criatividade fica meio gasta.
Mas Woody, o mais improvável de todos, no momento menos esperado, decidiu se reinventar. Ele, que dificilmente saía de Nova York, resolveu fazer um filme ambientado na Inglaterra. E ainda mais, um filme sério. Era Match Point, uma brilhante homenagem a Dostoievsky (não me peçam pra soletrar, eu mal sei a grafia correta do meu sobrenome) e com uma trama cheia de ironias e reviravoltas que só ele saberia fazer.
Três anos depois ele nos traz O Sonho de Cassandra, também ambientado na Inglaterra, e com um tom ainda mais sombrio que Match Point. Foi na mira.
Contudo, ele fraquejou. Pra bem, mas fraquejou. Pitadinhas de humor negro pontuam o filme aqui e ali, lembrando-nos que é o Sr. Allen que estamos assistindo, tirando sarro da vida e do existencial.
A trama é bastante linear e bem amarrada, mas o foco está nos personagens. Ewan McGregor e Colin Farrel são dois irmãos que se transformam drasticamente ao longo do filme, junto com a figura incrível de seu tio, papel que coube a Tom Wilkinson, a surpresa inesperada que quase roubou os holofotes de Clooney em Michael Clayton. McGregor atua impecavelmente, mas o destaque é de Farrel, que havia tempos não mostrava seu potencial preferindo fazer performances opacas em filmes medíocres. Mas não desta vez. Me lembrou de Por um Fio, filme que lançou a carreira dele. Desde lá não via tamanho show do irlandês.
Por fim, vale destacar a atenção à trilha sonora que foi dispensada por Woody. Ele, que ama jazz e até toca clarinete numa banda, usa-se de uma trilha sonora quase tétrica para passar a atmosfera sufocante que estão inseridos seus personagens. E funciona com impressionante precisão. Pra quem gosta de Woody Allen, obrigatório. Pra quem não gosta, vá e aprenda a gostar. O frangote (quem diria) ainda tem gás.

Speed Racer


Speed Racer é o filme que decidi usar para iniciar o blog. Pode parecer meio frustrante para alguns, mas é que eu acabei de assisti-lo e estou com ele fresco na minha memória, então acho que vai ser mais fácil.

Ainda que tenham tido suas derrapadas, Larry e Andy Watchowski criaram uma nova linguagem cinematográfica. O primeiro filme da trilogia Matrix (e o único que vale a pena) é uma obra prima que transmite uma trama de grande conteúdo filosófico numa linguagem moderna e acessível. É um filme grandioso sem nem levar em conta a inovação visual que ele trouxe (o Bullet-Time que foi copiado ad nauseum por todos os filmes de ação da ultima década).
V de Vingança, escrito e produzido pela dupla, serviu mais como uma redenção aos irmãos perante Holywood, após a decepcionante conclusão da trilogia Matrix.
Eis que, pouco depois do lançamento deste último, soube do próximo projeto dos Watchowskis: Speed Racer. Achei uma escolha bizarra. Mas eu nem imaginava o quão errado eu estava.

Speed Racer é um filme visualmente sensacional. É uma revolução. Pegue o tom cartunesco e surreal de Sin City, adicione aproximadamente 500 cores e luzes por segundo e adicione uma boa dose de psicodelia e uma edição frenética e você tem Speed Racer. Larry e Andy decidiram transportar todo o tom surreal do anime japonês para a tela, e fãs do gênero vão ficar impressionados com a maestria e fidelidade que isso é realizado. A trama é propositadamente rasa, um tom de filme-família (até macaco tem), personagens bem simples e diálogos que poderiam ter sido escritos por uma criança. Incrivelmente, tudo isso para de pé, tamanha é a qualidade visual do filme. Naturalmente, existe uma grande chance de você sair do filme decepcionado, mas a questão é não se focar no que está acontecendo, e sim como isso está sendo apresentado.
Kudos para o elenco acertou perfeitamente o clima das interpretações e não se leva nada a sério, algo que poderia ter azedado toda a mistura. O talentoso Emile Hirsh está carismático como nunca, e perde só para John Goodman, que já trabalhou bastante com os irmãos Coen para saber representar um papel surreal como o do bonachão Pops, o pai de Speed, com graça cativante. Até Matthew Fox consegue se distanciar do papel do Dr. Jack de Lost e adquire uma personalidade própria. Por fim temos Susan Sarandon como a mamãe Racer, e Christina Ricci como a namorada Trixie, toda charmosinha. Inevitavelmente no meio das luzes e cores você acaba sendo sugado para a trama, e quem sabe no final do filme vai estar como eu, vibrando e torcendo como se fosse um garotinho... "Go Speed Racer, Go!"

O Crítico Amador

Depois de muito, resolvi que era hora de fazer esse blog. Sempre que vou ao cinema, saio por aí recomendando os filmes que gostei e massacrando os que não gostei. Queria fazer algo assim já faz um tempo, publicar as minhas impressões sobre os filmes para quem possa interessar (e ouvir as impressões dos outros). Estou longe de ser um especialista no assunto, vou escrever aqui simplesmente como um cara que vai bastante ao cinema e gosta de comentar o que viu. Consequentemente a grande maioria das minhas criticas vão ser filmes de grande circulação, um aspirante amador de critico de cinema, para pessoas que como eu só gostam de ir ao cinema.
Então é isso, espero que meus textos possam ser úteis para alguém e que vocês deixem seus comentários se quiserem, dando uma visão pessoal do filme.