quarta-feira, 18 de junho de 2008

Agente 86 (Get Smart)

Missão Impossível, As Panteras, Perdidos no Espaço. Remakes estão em moda em Hollywood, mas adaptações de séries antigas para a telona já estão por aí faz um bom tempo. O agente 86 é uma daquelas séries que há muito implorava por uma adaptação as telas. Por mais de 10 anos o projeto rodou na mão de muitas pessoas. Em certo ponto, Jim Carey protagonizaria o filme. Graças a Deus, o projeto foi adiado e adiado e Steve Carell apareceu. Ele é perfeito para o papel de Maxwell Smart.
Confesso que quando vi os trailers, uma pontinha de mim tinha medo de que iria ao cinema já tendo visto todas as cenas boas. Definitivamente não foi o caso.
Em uma nota bastante particular, é incrível como a sua companhia e as pessoas ao seu redor afetam a experiência da tela. Lembro-me de quando fui assistir Menina de Ouro, tive a infelicidade de me sentar ao lado de um senhor que comentava e ria sonoramente de tudo. Sem exageros, acho que todos podem imaginar o quão dificil é apreciar um filme e se sentir imerso numa trama extremamente sensível e dramática com alguem ao seu lado dizendo algo do tipo "A menina se deu mal. Hah!". Quando estava no cinema vendo Agente 86, tive meus primeiros 15 minutos de filme arruinados por uma moça e seu colega, que se sentaram ao meu lado e decidiram cantar e reger a música tema do filme, exclamar em alto e bom tom coisas como "Ai que tonto!" e "Não acredito que ele fez isso!". Por isso, decidi tomar um paragrafo da minha critica para fazer um pedido, encarecidamente: Respeito aos outros dentro da sala de cinema é fundamental. Não sejam inconvenientes. Prefira assistir um filme em casa, se você é do tipo que não consegue se segurar.
Tudo isso que escrevi não apenas foi para fazer um outro ponto não relacionado, mas para ilustrar algo relevante à critica. Depois de algum tempo, os dois rapazes estavam tão ocupados rindo (junto comigo e o cinema inteiro) que não conseguiam mais comentar. Hype (comentários, foco, atenção demasiada) é algo que atrapalha especialmente filmes de comédia (quantas vezes vocês não tiveram um amigo que lhes disse "esse filme é o filme mais engraçado que eu já vi", e a expectativa foi tão grande que você mal conseguiu dar um sorriso durante o filme), então tentem não levar tão a sério quando digo que é uma comédia excepcional, que me fez rir bastante durante duas horas. O filme mantém o tom original da série e qualquer um que aprecia essa ou qualquer outra obra de Mel Brooks certamente vai se sentir em casa. É um filme que recomendo a todos como entretenimento de primeira, em seu estado mais puro. Diversão garantida.

O Incrível Hulk (The Incredible Hulk)

Há algum tempo atrás, os estúdios Marvel adquiriram de volta os direitos autorias sobre a produção de diversos de seus super-heróis. O primeiro filme produzido independentemente pela Marvel (e destribuido pela Paramount) foi Homem de Ferro, que há pouco tempo atrás e não decepcionou os fãs e até agradou os que não eram muito chegados (crédito vai para Robert Downey Jr. e seu carisma). Aparentemente, os estúdios da Marvel possuem os direitos autorais sobre todos os Vingadores originais (Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor e Ant-Man) e pretende fazer filmes individuais com cada um deles para depois juntá-los num grande "The Avengers", previsto para 2011. Tudo está sendo montado no sentido de unificar o universo Marvel nas telas,, Samuel L. Jackson fez um cameo como Nick Fury depois dos créditos de Iron Man e ja assinou contrato para voltar em outras aparições. Downey Jr. aparece brevemente nesse filme como Tony Stark, e por assim vai.
O grande problema que a Marvel teve de enfrentar até agora foi, o fiasco estrondoso e monumental de "Hulk" (2003). Parte da equipe que estão tentando levar as telas, o monstrão decepcionou na versão de Ang Lee. Depois de muita discussão, foi decidido por um mix de "sequência" e "reboot (algo similar ao que foi feito com o Batman, um novo filme que gera uma serie nova completamente independente da antiga)" onde pode-se tomar o filme como marco zero para o Hulk, mas ao mesmo tempo não aborda as questões da origem do super-herói, já tratadas no outro filme.
Dois pontos interessantes, dignos de nota: o primeiro é o envolvimento de Edward Norton, que além de protagonizar o filme exigiu liberdade para dar "pitacos" no roteiro, reescrevendo partes, adicionando personagens e mexendo na historia em geral. Outro é a escolha de filmar os primeiros 20 minutos de filme na favela da Rocinha, com alguns atores brasileiros (outros atores foram dublados depois e o resultado final é desastroso para os espectadores daqui.)
Tudo isso dito, o filme é claramente superior ao anterior. Enquanto o monstro ainda pode receber diversas críticas por não se assemelhar em nada com Norton, pelo menos ele está mais real e não parece tão visualmente errado. O casting está muito bom, William Hurt, apesar de não brilhar, cumpre as exigências, Liv Tyler consegue com alguma dificuldade se igualar a Bety Ross de Jennifer Connely e Tim Roth, um dos meus atores favoritos, faz uma aparição sensacional e consegue ter quimica em cena até com o Hulk. Nem falo de Norton, ele é genial em qualquer papel.
Apesar disso, o filme tem seus defeitos e a trama não é lá essas coisas. Definitivamente é um filme para ser visto pelos fãs de super-heróis e Marvel. O resto pode deixar ele pra depois. Não vão perder muito.